Reciclagem

O que é Lixo Eletrônico?

Pedro Lima

Pedro Lima

O que é Lixo Eletrônico?

Sabe aquele monte de coisas que a gente vai acumulando em casa, como: celular antigo, carregador que não funciona mais, notebook parado, geladeira encostada? Pois é… tudo isso entra na categoria que normalmente chamamos de lixo eletrônico, mas que aqui vamos chamar de resíduo eletrônico. Basicamente, é qualquer equipamento elétrico ou eletrônico que já não serve pra nada: ficou velho e ultrapassado, ou simplesmente parou de funcionar.

Mas tem um detalhe importante: isso não é “lixo comum”. Esses equipamentos carregam um mix curioso. De um lado, materiais valiosos, como cobre, alumínio, ouro e outros metais que ainda podem ser reaproveitados. Do outro, substâncias que causam sérios danos ambientais e à saúde humana se forem descartadas de forma incorreta, como metais pesados e produtos químicos que precisam de tratamento especial.

Por isso é tão importante entender o que é, e quais são os tipos de resíduos eletrônicos. O descarte correto ajuda toda a cadeia de pessoas envolvidas com a reciclagem a recuperar materiais e evitar aquele impacto ambiental que a gente já sabe que ninguém quer.

Mas, atenção: nem tudo que usa energia, cabo ou circuito é considerado resíduo eletrônico. Segundo o Global E-waste Monitor 2024, alguns itens ficam de fora simplesmente porque não foram vendidos como Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (EEE) ou porque fazem parte de outros grupos de resíduos. Lá no final do artigo eu explico direitinho o que não entra nessa categoria e por quê.

Mas antes disso, vamos dar uma olhada em como o Brasil organiza esses resíduos. É tudo dividido em linhas verde, azul, marrom e branca e isso ajuda muito na hora de entender o que vai pra onde. Assim você evita erros no descarte, ajuda o meio ambiente e ainda contribui para fortalecer a economia circular e geração de empregos formais.

Como o lixo eletrônico é classificado no Brasil

A classificação dos resíduos em categorias facilita a logística reversa, a reciclagem e o tratamento adequado de cada tipo de material.

💻 Linha Verde – Informática e Comunicação

Equipamentos de tecnologia e TI.

Exemplos:

  • Computadores, notebooks e tablets
  • Monitores e periféricos
  • Roteadores e modems
  • Impressoras

Essa linha é uma das que mais cresce devido à rápida obsolescência tecnológica.

🔌 Linha Azul – Pequenos Eletrodomésticos

Itens de uso cotidiano, geralmente presentes em residências.

Exemplos:

  • Secadores, chapinhas e máquinas de cortar cabelo
  • Liquidificadores e batedeiras
  • Aspiradores de pó
  • Ventiladores

Embora pequenos, o volume total gerado é muito alto.

📺 Linha Marrom – Áudio e Vídeo

Produtos eletrônicos de entretenimento.

Exemplos:

  • Televisores
  • Equipamentos de som
  • DVDs, blu-rays e home theaters
  • Projetores

Muitos desses equipamentos contêm plásticos, placas e metais de alto valor.

📦 Linha Branca – Eletrodomésticos de Grande Porte

Equipamentos maiores e mais pesados.

Exemplos:

  • Geladeiras e freezers
  • Fogões
  • Lavadoras e secadoras
  • Micro-ondas

Essa linha costuma concentrar materiais como cobre, alumínio e aço.

Por que separar o lixo eletrônico por linhas?

A classificação por linhas facilita:

  • a desmontagem e a triagem dos materiais
  • a recuperação de metais e componentes reutilizáveis
  • a aplicação de processos adequados para cada tipo de resíduo
  • a segurança ambiental e o cumprimento das normas da logística reversa

Agora que você já conhece as linhas que entram na classificação, vamos esclarecer um ponto que gera dúvida: o que fica de fora dessa definição?

O que não entra na definição de resíduo eletrônico

Como mencionado, nem tudo que usa eletricidade ou tem um circuito por dentro vira resíduo eletrônico, tá? Isso confunde muita gente, então vale a pena dar uma olhada no que fica de fora dessa categoria e por quê.

Os motivos são basicamente três:

1. Simplesmente porque fazem parte de outra categoria de resíduos

Exemplo: baterias soltas, acumuladores de energia, certas luminárias industriais.

Esses materiais seguem regras próprias porque têm composição diferente, riscos diferentes e processos de reciclagem completamente distintos dos eletrônicos comuns. Ou seja: não entram na conta do resíduo eletrônico.

2. Porque são peças internas de veículos

Equipamentos instalados como parte estrutural de automóveis, caminhões, barcos ou aeronaves. Como rádios embutidos, centrais multimídia e módulos eletrônicos, são considerados parte do veículo. Eles só são contabilizados como resíduo automotivo, não eletrônico.

3. Porque são equipamentos militares, industriais ou de segurança

Aqui entram aqueles equipamentos pesados ou estratégicos que não fazem parte do nosso uso cotidiano. Equipamantos militares, de defesa, ou máquinas industriais específicas.

Esse tipo de equipamento tem regras próprias, muitas vezes ligadas à segurança e ao controle governamental. Por isso, não entram na categoria de resíduo eletrônico comum.

Conclusão

Pra um produto ser considerado resíduo eletrônico, não basta só “usar energia”. Precisa ter chegado até você como um produto elétrico ou eletrônico pronto para uso. O resto? Tem outro caminho e saber a diferença é o primeiro passo para um descarte consciente.

E aí, identificou algum item dessas linhas aí na sua casa? Agora que você já sabe que isso tem valor e perigo em potencial, que tal descobrir onde tem um ponto de coleta perto de você? No próximo artigo, a gente te ensina exatamente como e onde descartar cada tipo.

Referências

  • FORTI, V.; BALDÉ, C. P.; KUEHR, R.; BEL, G. The Global E-waste Monitor 2024. Bonn, Genebra e Rotterdam: Universidade das Nações Unidas (UNU), União Internacional de Telecomunicações (UIT) e Instituto para Formação e Pesquisa das Nações Unidas (UNITAR), 2024. Disponível em: https://globalewaste.org/.

  • BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm.

  • BRASIL. Decreto nº 10.240, de 12 de fevereiro de 2020. Regulamenta o sistema de logística reversa de produtos eletroeletrônicos e seus componentes de uso doméstico. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 fev. 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10240.htm.

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 16156:2013: Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE) – Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

  • GREEN ELETRON – ENTIDADE GESTORA PARA LOGÍSTICA REVERSA DE ELETROELETRÔNICOS. Linhas de Eletroeletrônicos. São Paulo: Green Eletron, [2024?]. Disponível em: https://greeneletron.org.br/linhas/.

#sustentabilidade#reciclagem
Pedro Lima

Sobre Pedro Lima

Sócio-fundador da e-Renova e cientista de dados. Nossa missão é ser agente inspirador de transformação através da tecnologia e conscientização.